INGREDIENTE

Manteiga de Cacau de Comércio Justo da Colômbia

Theobroma cacao

Hidratante e suavizante
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Produtos com este ingrediente

A manteiga de cacau é uma substância rica e gorda derivada das sementes da árvore do cacau. Usar manteiga de cacau permite-nos, por exemplo, criar uma base sólida para produtos auto-conservados como as barras de massagem, pois esta derrete à temperatura corporal, transporta ingredientes para a pele enquanto a suaviza maravilhosamente ao mesmo tempo.  

Descrição

Descrição

A manteiga de cacau contém ácido oleico, um ácido gordo saturado de grande compatibilidade com o sebo natural do nosso corpo, ajudando na absorção dos outros ingredientes ativos. Contém ainda ácido esteárico, que emulsifica água e óleo nas células da pele, deixando-a suavizada e hidratada. Além de altamente suavizante, o ácido esteárico e a forma sólida natural da manteiga de cacau, fazem deste ingrediente um emulsificante natural nos produtos em que é usado, unindo água e óleos nas loções, e, no caso dos produtos sólidos, criando uma emulsão forte que não deixa que micróbios se movam e desenvolvam.

A Comunidade de Paz de San José de Apartadó, no noroeste da Colômbia, é um dos nossos três fornecedores de manteiga de cacau de Comércio Justo. Este grupo consiste em cerca de 2100 agricultores que se comprometeram à não-violência numa área devastada pelo exército, guerrilheiros de esquerda e grupos paramilitares de direita. A Comunidade tem desenvolvido formas de cultivo que incorporam técnicas de permacultura, como plantação mista e compostagem, por isso não precisam de utilizar pesticidas e fertilizantes. A Comunidade também faz cultivo de várias variedades para sua alimentação, onde se incluem bananas, abacates, milho, arroz, feijão, banana-pão e, claro, cacau.

A Lush compra cacau à Comunidade desde 2010. Este é enviado para a Europa para ser processado em manteiga de cacau e em pó. A Lush apoiou o pedido da Comunidade em se tornar certificada como produtora de Comércio Justo e Orgânica, e entre 2015 e 2016 comprou cerca de 50 toneladas de grãs de cacau orgânicos e de Comércio Justo diretamente a esta Comunidade de Paz.

Manteiga de Cacau de Comércio Justo da Colômbia existe nestes produtos
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Produtos com este ingrediente
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DESTACADO

A história agridoce do cacau

O cacau é um cultivo delicado e sensível, e fazê-lo crescer é uma tarefa difícil, o que leva a pressão sobre os fornecedores de cacau.

Em Setembro de 2000, um documentário da televisão Britânica trouxe à luz a situção difícil dos trabalhados do cacau no Oeste Africano. A série do Channel 4, "Escravidão". expôs o lado negro da produção de cacau - uma indústria onde os muito novos trabalham sem ser pagos, sem liberdade para deixar o seu trabalho, e são muitas vezes agredidos e intimidados pelos seus empregadores.

Desde então, o estado global da indústria do cacau tornou-se cada vez mais difícil de ignorar. A cada reportagem, mais evidências de condições de trabalho perigosas, falta de acesso a educação e ligações ao tráfico humano e escravidão vêm ao conhecimento.

Os feijões de cacau são parte do mercado de produtos agrículos, com todos os países do mundo a utilizar o feijão de uma forma ou de outra. A procura, deste modo, é implacavelmente alta. É também um produto com um considerável tempo de crescimento - leva três anos para que o arbusto do cacau se torne produtivo. Por fim, os cultivos de cacau são altamente sensíveis às mudanças climatéricas, particularmente às mudanças de temperatura, chuvas e à saúde das espécies polinadoras comuns. 

Em resultado, os produtores experienciam flutuações dramáticas no valor que cada colheita pode ter. A Organização Internacional do Trabalho e o Forum Internacional de Direitos do Trabalho (entre outros grupos) revelam que em muitas comunidades a exploração e o trabalho infantil são frequentes. Ao longo da costa do Oeste Africano, no Gana e Costa do Marfim, comunidades inteiras são forçadas a aceitar salários abaixo do nível da pobreza.

Neste momento, guiados pelo desejo de criar um futuro mais sustentável, justo e proactivo para a produção de cacau, organizações e comunidades trabalham juntas para melhorar esta situação.

Enquanto os conflitos na Colômbia pareciam inescapáveis, o cacau ofereceu alguma salvação a mais de 2000 pessoas da Comunidade de Paz de San José de Apartadó. Em 1997, no meio de uma zona de guerra devastada pelo exército, guerrilheiros de esquerda e para-miliatres de direita, estes produtos de pequena escala comprometeram-se à não-violência. O estado respondeu com a retirada de todo o suporto, incluindo meios, electricidade, escolaridade e cuidados de saúde. 

Numa visita em 2015, membros da Peace Brigade International (PBI) assistiram ao desenrolar de uma bandeira grande branca com o nome de mais de 350 membros, amigos e vizinhos que foram mortos desde que a comunidade começou, por grupos de guerilha, exército ou paramilitares. 

Ainda assim, ao lado da mesma, estavam 18 bolos para celebrar os sucessos dos 18 anos anteriores.

"As pessoas que acompanhamos na Colômbis são verdadeiros heróis," diz Dan Slee, um voluntário da PBI. "Estas são pessoas que tentam viver em paz no meio de um conflito armado, que defendem membros mais frágeis da sociedade e que levam os seus casos à justiça apesar das ameaças de morte, perseguições e difamações de que são alvo." 

A comunidade hoje cultiva bananas, abacates, milho, arroz, feijão, banana-pão e feijões de cacau para comer e vender. Os feijões de cacay são o cultivo de onde retiram maior rendimento. Através do seu centro de pesquisa ecológica e da Farmers’ University, têm também aprendido a incorporar técnicas de permacultura, tais como mistura de cultivos, para não ter de comprar e usar pesticidas e fertilizantes.

Entretanto, na República Dominicana, os 1500 agricultores que formam a The Organic Growers Dominican Foundation (FUNDOPO) estão mais espalhados. Muitos vivem em regiões distantes, muitas vezes montanhosas, onde a pobreza é comum, e o tamanho das quintas está, em média, abaixo dos dois hectares (menor que o tamanho de dois campos de futebol com medidas internacionais). As suas localizações remotas significam que as técnicas de cultivo triunfam sobre a mecanização e as plantas de cacau são todas orgânicas, muitas vezes rodeadas de frutos cítricos que são vendidos nos mercados locais para apoiar os rendimentos dos agricultores.

Um agricultor que trabalhe sozinho facilmente encontraria dificuldades em obter um preço justo para os seus feijões, quanto mais conseguir comprar ferramentas caras ou melhorar as infrastuturas locais. No entanto, desde a criação oficial da FUNDOPO em 2007, o prémio de Fair Trade que os produtores ganham significa que agora podem financiar projectos como um colectivo, construindo espaços comunitários e instalações para colectar água potável. 

É também na República Dominicana que encontramos um terceiro fornecedor de manteiga de cacau orgânica e de Comércio Justo. A National Confederation of Dominican Cacao Producers (CONACADO) produzem uma variedade não-desodorizada de manteiga, tendo um cheiro forte achocolatado e que é fantástica na pele.

Tal como a FUNDOPO, os 10 mil membros da CONACADO inventem em conjunto o rendimento extra proveniente de se tornanrem Fair Trade, construindo armazéns, reparando escolas, em formação técnica, melhorando assim a qualidade das suas colheitas de cacau.

Cada comunidade de cacau tem a sua história para contar.