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Notas de Campo: De que forma está o Centro de Permacultura Gayo em Sumatra a plantar as sementes para métodos de agricultura sustentável

Relatório da linha da frente – Equipa de Compras Lush 

Neste artigo, o chefe da equipa de compras, Simon Constantine, apresenta-nos uma reportagem da sua mais recente visita a Sumatra, para visitar um centro de permacultura que é gerido pela Lush em conjunto com a ONG Orangutan Information Center. O centro GAYO mostra aos agricultores locais como podem enriquecer os seus solos, o que esperamos possa a ajudar a dissuadir de invadir mais e mais a fronteira da floresta, bem como de usar técnicas destrutivas e não sustentáveis, tais como queimadas.

É a época das chuvas no limiar da reserva florestal de Gayo Lues. O caminho inclinado - laranja escuro e com vestígios de riachos – faz pouca tração nos pneus do nosso 4x4 enquanto este sobe em dificuldade colina acima. É apenas uma curta distância da vila, mas o caminho é duro, com a traseira do veiculo a patinar de um lado para o outro. Felizmente, após alguns solavancos e chiar de motor, lá conseguimos chegar ao Centro de Permacultura Gayo.

Empoleirado no cimo de muitos precipícios no norte da ilha Indonésia de Sumatra, onde faz fronteira com o Parque Nacional de Gunung Leuser, uma das maiores florestas primitivas que restam na Indonésia, o centro tem permacultura distinta. Estabelecido há apenas dois anos em conjunto com a Lush e o Orangutan Information Centre (OIC) – uma ONG ambiental com base em Sumatra – Gayo tem no seu coração as fragrâncias.

Esta área é o centro de muitos ingredientes aromáticos; a citronela é comum aqui e podemos observar grandes tufos desta erva como que num sub-bosque debaixo da sombra dos pinheiros nativos que cobrem a paisagem. Não muito longe, temos baunilha, erva-limão e patchouli, que nos relembra os hippies, e todas crescem em abundância.

Infelizmente, tal como com muitas outras formas de agricultura, ao longo dos anos as práticas de cultivo e colheita foram sendo substituídas por opções piores. O que era um cultivo simples e livre de pragas, após a mudança nas técnicas de cultivo, como o uso de queimadas e de fertilizantes químicos, deixaram estas plantas mais suscetíveis a infestações.

Os grandes declives são normalmente limpos e a floresta nativa removida, sendo depois plantado patchouli e chilis encosta abaixo, depois de estar a terra coberta de plástico e vários químicos. Esta época de chuvas é um grande exemplo do quanto esta estratégia apenas resulta a curto-prazo: na nossa viagem desde Medan passámos por vários deslizamentos de terra; o solo é um recurso precioso e está a desaparecer rapidamente. Os agricultores perceberam que, ano após ano, a fertilidade do solo tem baixado de forma dramática, por isso têm de invadir uma nova área – na próxima época, aí vão eles floresta adentro.

Sabar, o gerente da quinta que desenhou e gere o GPC, explica: “O ciclo de ‘cortar – cultivar – ir embora’ pode ser quebrado e é esta a nossa esperança com a GPC; queremos informar os agricultores locais em permacultura e em métodos mais sustentáveis de colheita destas plantações.

Sabar foi literalmente “adotado” pelo mundo da permacultura quando tinha 12 anos, quando ele e seu irmão ficaram órfãos em resultado do tsunami de 2004. Após a perda da sua família, foi levado pelo IDEP, um centro para Permacultura e Vida Sustentável em Ubud, Bali, que se tornou a sua casa e o local onde aprendeu tudo sobre permacultura. Mas Sabar sempre quis regressar à região de Aceh, a sua origem, à sua antiga casa e por isso aceitou de bom grado a oportunidade de ter o comando do terreno da GCP/Lush.

O seu primeiro desafio foi mostrar, com exemplos, que a permacultura consegue manter o solo fértil, num terreno de 10 hectares. Isto era importante, pois iria encorajar os agricultores locais, dando-lhes uma razão para ficar nas suas terras ao invés de ir em busca de terrenos em áreas protegidas.

Em 2015 a GPC começou o processo de reparação do solo, usando composto e removendo pinheiros que estavam instáveis. Neste local, já são visíveis as melhorias nas plantações, com os agricultores locais maravilhados com esta terra que pensavam ser inútil, mas que está agora a produzir tomate, beringela, chili e abóbora.

A GPC está agora a atacar desafios maiores, ao providenciar agroflorestamento em larga escala de plantações de baunilha (que cresce através de arvores fixadoras de nitrogénio), erva-limão, patchouli e citronela. A cada uma é dada uma boa quantidade de composto e cobertura morta (mulch), enquanto se adiciona uma variedade de árvores de fruto. Foram construídas pequenas barragens que aumentam o efeito das fontes de água naturais, de modo a se obter uma paisagem predominantemente alimentada pela gravidade que leva a água. Quando é necessária mais água, um rio nas redondezas fornece o que seja preciso por via de um mecanismo de bombeamento. Este fator é muito importante, pois o próximo passo nesta área é adicionar um recipiente de destilação para destilar óleos essenciais, fechando o ciclo entre cultivo, colheita e processo para que tenha o máximo valor.

Mais ainda, a OIC começou a trabalhar no terreno para formar pequenos grupos de agricultores, que vão trabalhar em conjunto para aprender mais sobre permacultura. Não seria correto julga-los por se terem afastado tanto da sua forma mais tradicional de cultivar, ou por terem a tendência de entrar mais e mais pela floresta em busca de terreno de melhor qualidade para cultivar. Muitas destas mudanças foram despoletadas durante a guerra civil e, quando os agricultores nos dizem que querem voltar aos seus métodos tradicionais e mais sustentáveis, é claro que precisam mais do que apenas ser convencidos sobre os benefícios da permacultura – e é aqui que entra a GPC como valioso recurso; um exemplo funcional de como estas técnicas que vão ter de adotar.

Além do mais, a destilaria que está pronta a ser instalada perto destes agricultores, não é uma destilaria qualquer. Funciona a energia renovável, gerada por uma micro-barragem hidroelétrica, feita no rio ali próximo. Isto vai aliviar ainda mais a floresta, pois esta é agora também usada como fonte de madeira, que serve de energia para as destilarias que há na zona.

A GPC é um local jovem e em florescimento com uma importante contribuição para o cultivo sustentável de citronela, baunilha, patchouli e outros ingredientes da região destinados à cosmética e perfumaria. Um local onde a terra e as pessoas se juntam... e que cheira verdadeiramente bem.

Imagens:
(Imagem principal): Simon, chefe da equipa de compras éticas, e Sabar, o agricultor gerente na GPC,
a sentir o cheiro de um campo de patchouli
(Esquerda): Compostagem no Centro de Permacultura de Gayo, para que se possa cultivar plantações de óleos essenciais. Faz parte do treino dado aos agricultores, para que não precisem de depender de plantar na floresta primitiva.

(Em baixo): Sabar a mostrar os frutos do seu trabalho no terreno de demonstração. 

Making compost at Gayo Permacuture Centre to be able to grow essential oil crops. This is part of the training to farmers so then there isn't the need to rely on growing crops in the primary forest.
Gayo Centre

“O ciclo de ‘cortar – cultivar – ir embora’ pode ser quebrado e é esta a nossa esperança com a GPC; queremos informar os agricultores locais em permacultura e em métodos mais sustentáveis de colheita destas plantações."

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