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Salvando Sumatra: resgates de orangotangos e heróis da regeneração

Com a atenção do Mundo virada para o problema do óleo de palma, e estando a Lush a chegar ao fim da sua segunda campanha com a Sumatran Orangutan Society, a escritora do Lush Times - Katie Dancey-Downs - sentou-se com algumas das pessoas que supervisionam os projetos de regeneração nos terrenos em Sumatra, para um update

A equipa do Centro de Informação do Orangotango - Orangutan Information Centre (OIC) - está a responder a um conflito. Desta vez, um orangotango está no terreno de um agricultor local a comer o seu cultivo. A equipa irá avaliar se este primata poderá ser encaminhado de volta para a floresta ou se precisará de ser tranquilizado e translocado. Se nada fizerem, este animal corre risco de vida, morrendo à fome ou devido à caça furtiva. As crias de orangotango também correm o risco de serem raptadas para venda via comércio ilegal de animais de estimação.

"O resgate do orangotango é o último recurso", afirma Panut Hadisiswoyo, membro da OIC que, ao lado do seu colega Mustaqim, agora trabalha com a Lush, supervisionando projetos em Sumatra. "Num mundo ideal, o resgate dos orangotangos não é necessário."

A equipa resgata cerca de 30 orangotangos por ano e trabalha com os agricultores de Sumatra que são os 'olhos da organização no terreno'. Panut explica a importância de monitorizar a situação em primeira fila.

"Quanto mais a floresta encolhe, mais habitats são destruídos. Há mais floresta em perigo, logo há mais orangotangos em perigo", refere.

Com equipas em ambas as costas Este e Oeste, estão prontos para responder a qualquer conflito, a qualquer hora do dia. Quanta mais floresta de Sumatra desaparece para monoculturas de óleo de palma, mais orangotangos perdem o seu lar.

O Ecossistema Leuser, uma área em Sumatra, é a última fortaleza para os orangotangos de Sumatra. É também o único local no mundo onde tigres, elefantes, rinocerontes e orangotangos coexistem. Mas tudo isto se encontra sob ameaça.

Enquanto monitoriza os orangotangos, a equipa do OIC muitas vezes encontra outros animais em perigo. Apenas dois dias antes da nossa reunião no Reino Unido, um elefante bebé morreu numa plantação de óleo de palma, ao ficar preso numa vala demasiado profunda para que a sua progenitora o conseguisse salvar. Os tigres também deambulam pelas quintas, procurando alimento. Panut ajudou recentemente a prender um caçador de tigres, e Mustaqim testemunhou um tigre a ser morto.

Esta é a dura realidade de uma vida selvagem que perdeu o seu habitat; mas pessoas como Panut e Mustaqim trabalham arduamente para construir um futuro diferente para a floresta de Sumatra e seus habitantes.

Regenerando Sumatra

O orangotango pode ser tido como o exemplo para a reflorestação de Sumatra, mas não é o único prejudicado com a desflorestação. Panut explica alguns outros projetos que supervisiona com o intuito de proteger a vida selvagem e o Ambiente, e como estão ligados aos ingredientes, muitos deles destinados a cosméticos.

"O meu papel em Sumatra é ajudar a população a evitar mais desflorestação", afirma Panut.

A agricultura, diz ele, é a principal causa da desflorestação, fazendo então desta área o seu foco. Em todos os projetos em que participa, o ênfase é dado a manter uma pequena escala, em vez de quintas de escala industrial.

Ao invés de dizer às pessoas para pararem a agricultura industrial, Panut e o OIC apresentam-lhes alternativas orgânicas, incluindo opções de permacultura, que não só irão ajudar a proteger o Planeta e seus habitantes, como também ajudar os agricultores locais a melhorar o seu rendimento.

Na Ilha de Nias, há duas estórias diferentes relativamente à ave mainá-da-montanha (Gracula religiosa). Uma conta que este pássaro nativo elevou a sua posição a mascote da província, muitas vezes visto a criar ninhos em coqueiros e a mimicar o discurso humano. Já o lado lunar fala de capturas, contrabando e um rápido declínio em direção à extinção, uma vez que as aves são capturadas ilegalmente para o comércio ilegal.

Panut e Mustaqim encontram-se a trabalhar num projeto que visa a criação e reinserção das mainás-da-montanha no seu habitat selvagem, tentando proteger e manter o seu número. Simultaneamente, criam compromissos com produtores locais de coco, que agora vendem para a Lush. Panut e Mustaqim estão a educá-los sobre estes problemas e pedem-lhes que protejam os ninhos dos seus coqueiros.

Vida selvagem em perigo

Na Ilha vizinha de Nias - Simeulue - há outra fonte de recurso de óleo de coco da Lush, e também outra estória de vida selvagem em perigo. Tartarugas põem os seus ovos nas praias perto dos coqueiros... os mesmos ovos que serão roubados e vendidos como um manjar. Assim sendo, Panut e Mustaqim encontram-se agora a colaborar com uma ONG local e com os produtores de coco, que iniciaram patrulhas nas praias, a fim de protegerem os ovos, dando-lhes hipótese de eclodir e tornarem-se tartarugas.

Voltando ao coração do Ecossistema Leuser, os elefantes estão a perder os seus lares na floresta, tal como os orangotangos. Os terrenos baixos envolventes estão a ser convertidos para óleo de palma e, enquanto muitos outros animais se veêm forçados a ir para altitudes maiores, os elefantes são simplesmente incapazes de se adaptar; começam a ficar presos, devido à destruição dos corredores entre áreas florestais. Estima-se que haja menos de 250 destes elefantes no Ecossistema Leuser, tendo o seu número caído para 70% na última década.

Outro problema, segundo Panut, é o facto dos elefantes gostarem particularmente do sabor das folhas de óleo de palma, fazendo-os vaguear por quintas, correndo o risco de serem abatidos a tiro ou envenenados. Panut querer experimentar a criação de barreiras naturais para elefantes, com erva-limão e malaguetas, as quais costumam evitar. Isto colocá-los-ia no caminho certo e longe de terrenos privados, enquanto também criava outra fonte de rendimento para os locais.

Há também outros projetos para encorajar a agricultura orgânica. Panut e Mustaqim estão a trabalhar com agricultores locais para encontrarem melhores formas de produzir patchouli, impedindo que as pessoas invadam ainda mais a floresta. A maioria dos agricultores da região acredita que as novas terras têm de ser desmatadas para cada lote de patchouli, por ser uma planta que extrai muito do solo. Mas Panut está a tentar encorajá-los a deixar a terra repousar e recuperar entre colheitas, usando os intervalos do cultivo do patchouli para semear outras culturas menos intensivas, que também trarão rendimento. Isto trava a necessidade de reduzir mais floresta.

Panut garante: "A chave para resolver este problema é envolver os produtores, evitando cortes e queimas."

Cativando a próxima geração

Após a campanha Europeia lançada pela Sumatran Orangutan Society com o apoio da Lush, em 2017, o OIC comprou 50 hectares de uma antiga plantação de palma em Bukit Mas, no Ecossitema Leuser, que agora se encontram em reflorestação. Logo depois, os 50 hectares contíguos também foram adquiridos, seguindo uma campanha na Ásia, estando agora dedicados à agrossilvicultura.

Nesta zona, há uma escola focada na permacultura que oferece a oportunidade de estudar gratuitamente, para que a próxima geração possa aprender sobre conservação e permacultura.

"A educação é um investimento a longo-prazo. Queremos criar uma geração green que viva ao lado do National Park Forest", afirma Panut.

Através da educação, Panut tem esperança que a população consiga ver a beleza da floresta e dos seus habitantes animais, e que pare de ser destrutiva.

"As pessoas ou vão querer tirar partido da floresta ou vão querer protegê-la. Mas não vão conseguir compreender essa escolha até que sejam educadas", explica.

Alega que tem havido uma boa resposta por parte da população local e que as crianças da escola, particularmente, são entusiasmadas relativamente à permacultura.

A vida selvagem já se encontra de regresso à região, e os macacos de folha, com as suas marcas espetacularmente proeminentes, são visitantes regulares. Inclusive, algumas pessoas da escola têm avistado orangotangos à distância. Por isso, Panut e seus colegas estão esperançosos que se trate apenas de uma questão de tempo até os orangotangos regressem ao seu lar recentemente reflorestado em Bukit Mas, e que este conto de uma regeneração de sucesso inspire outros a fazerem o mesmo noutras partes de Sumatra.

Descobre mais sobre a reflorestação e os trabalhos de agroecologia em Bukit Mas.

Foto cortesia de Andrew Walmsley

O orangotango pode ser o exemplo para a reflorestação de Sumatra, mas não é o único que sofre com o impacto da desflorestação.

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