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O que está lá dentro conta: Os antídotos e assassinos da Natureza

Quando pensas em óleos essenciais, a palavra "arma" não é a primeira coisa que te vem à cabeça. Mas nas concentrações certas, os óleos essenciais e os químicos que os compõem, podem ser letais ou salvar vidas.

Os óleos essenciais são compostos por químicos que ocorrem de forma natural. Alguns são tóxicos, alguns são benéficos quando aplicados na pele, e alguns estão na base de farmacêuticos modernos. Saber a diferença é crucial!

CUMARINA

A cumarina é um composto químico fragrante que ocorre naturalmente em várias plantas, como a baunilha, a canela ou o cumaru. É adorada pela sua fragrância e sabor doces, sendo usada por perfumistas e chefes de cozinha.

A cumarina é o químico responsável pelo aroma a relva acabada de cortar. Mais do que apenas um cheiro bom, a cumarina é o percurso da varfarina - um medicamento usado para diluir o sangue e reduzir hipóteses de coágulos. Nos Estados Unidos é restringido o uso de feijões de cumaru em alimentos devido ao seu alto teor de cumarina, podendo potencialmente interagir com outras medicações. São precisos pelo menos 30 feijões de cumaru para chegar a níveis tóxicos - aproximadamente a mesma quantidade necessária de outras especiairias derivadas de plantas.
 

ÁLCOOL BENZÍLICO

O álcool benzílico é um líquido aromático incolor que se encontra em plantas, frutas e, por consequência, nos óleos essenciais. É usado em aromatizantes e cosmética, mas tem um vasto número de outros usos. As suas propriedades antibacterianas tornam-no num conservante natural, bem como anestésico local.

O álcool benzílico pode derivar de rosas, lavanda, citrinos, jasmim e ylang ylang, mas é também muitas vezes sintetizado (feito em laboratório). Pode ser irritante na pele em doses acima dos 3%, por isso o seu uso na cosmética e perfumaria é cuidadosamente regulamentado. Em concentrações mais elevadas, o álcool benzílico pode ser usado em repelentes de insectos, decapantes de tinta e vernizes.
 

AMIGDALINA (E CIANETO)

A amigdalina é um composto químico que ocorre naturalmente e pode ser encontrado no miolo da amêndoa amarga. A sua presença ajuda a proteger as preciosas sementes de amêndoa de serem ingeridas por insetos e outros organismos. Isto deve-se ao facto deste químico se tornar tóxico ao ser esmagado, misturando-se com uma enzima e produzindo o letal cianeto - um nome que reconheces de muitos romances policiais.

A amigdalina está também presente em outras sementes de fruta, tais como maçãs, damascos, pêssegos e ameixas.

De modo a obter o óleo essencial de amêndoa da amêndoa amarga de forma segura, o cianeto tem de ser lavado com muito cuidado. Outra forma de garantir a segurança é usar apenas amêndoas doces, que não apresentam qualquer risco.
 

EUGENOL

Cravinho, canela, noz moscada, gengibre... pode parecer que estamos a falar de Natal, mas não. O que interessa aqui é o facto destas sementes naturais, cascas e raízes conterem uma proporção alta do composto químico eugenol.

O eugenol é usado em anestésicos locais, antisséticos, agentes antibacterianos e para o alívio de dor.

É também usado em preparados e tratamentos dentários - o que explica o sabor a cravinho que podes associar às visitas ao dentista.

Tem também um papel no mundo das plantas. A orquídea bulbophyllum liberta metileugenol para encorajar as moscas da fruta e abelhas a polinizar as suas flores.

Em altas concentrações, o eugenol pode ser tóxico, daí o seu uso na perfumaria ser restringido.

Apenas 0,02% de qualquer fragrância pode conter eugenol, por forma a prevenir quaisquer reações que a pele possa ter a este químico que ocorre de forma natural.

 

GERANIOL

O geraniol é um composto orgânico que ocorre naturalmente nos óleos essenciais, particularmente na rosa e citronela, mas também na camomila, sálvia-esclareia, lavanda e néroli. O seu aroma que lembra rosas e o seu sabor doce significam que é comummente usado em perfumaria, bem como em aromatizantes alimentares.

O geraniol tem um papel muito importante no ecossistema. Este químico é colhido pelas abelhas que visitam as flores, ficando concentrado nos seus corpos. Elas segregam então o geraniol das suas glândulas odoríferas para marcar as flores produtoras de néctar e as entradas das suas colmeias.

Sendo um álcool, algumas pessoas são sensíveis ao mesmo, o que significa que o seu uso em fragrâncias é regulamentado cuidadosamente.

 

FARNESOL

O farnesol ocorre naturalmente sob forma de líquido incolor, sendo extraído de várias plantas e fontes naturais, incluindo o néroli, a angélica e o sândalo. É muito usado em perfumaria pelo seu delicado aroma floral, tendo também propriedades antimicrobianas. Por esta mesma razão, o farnesol é um ingrediente comum em tratamentos de acne, pois é particularmente eficaz a combater as bactérias responsáveis pelo mesmo - propionibacterium.

No mundo natural, o farnesol é usado como feromona pelos ácaros fêmea para atrair o macho na hora de acasalar. Por ter este efeito no comportamento dos ácaros, o farnesol é também adicionado a pesticidas.
 

APROVEITAR O PODER DA NATUREZA

Os óleos essenciais podem ser perigosos. Como ingredientes naturais, há uma fina separação ente o seguro e o nocivo - como sabes, para obter o óleo essencial de amêndoa, o cianeto (um veneno mortal) tem de ser separado, antes de tudo, do líquido produzido.

A Lush tem uma equipa responsável por perceber e regular as quantidades de químicos usados em qualquer óleo ou perfume, bem como sobre os níveis de alergénios em cada produto. Ferramentas como uma máquina de Cromatografia Gasosa - Espectrometria de Massa (CG-EM) conseguem determinar a composição química dos óleos.

A equipa assegura-se de que as novas invenções e produtos contêm níveis seguros de óleos essenciais - bem como dos químicos que lhes são inerentes. Isto significa que se verificam cuidadosamente os constituintes de cada óleo, de forma a analisar do que são feitos e assegurar que, quando dois ou mais óleos são misturados na fórmula do produto, não se ultrapassam os níveis de segurança relativos à quantidade dos químicos que existem nos mesmos.

 

REGULAMENTAÇÃO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS

Este tipo de considerações de segurança está regulamentado pela Associação Internacional de Fragrâncias (IFRA). As regulamentações da IFRA estão divididas em 11 categorias diferentes, de acordo com o propósito do produto e forma de interação com a pele. Ou seja, os géis de duche e hidratantes de rosto podem conter quantidades diferentes de óleos essenciais pois um é enxaguado e o outro é deixado na pele para absorção.

Por isso, embora os óleos essenciais sejam naturais, não significa que esteja garantida a segurança; tudo depende de como são usados.

Debaixo das maravilhosas misturas e aromas sedutores, existe um mundo inteiro de ciência, sendo importante assegurar que os óleos presentes nos produtos que usas todos os dias são os mais seguros e eficazes possível.

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