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Notas de Campo: No caminho da regeneração com as mulheres de Timbaktu

Em busca de projetos de regeneração de sucesso, a repórter do Lush Times Katie Dancey-Downs visitou The Timbaktu Collective em Andhra Pradesh, India, um dos vencedores do Lush Spring Prize de 2017. Katie sabia que as paisagens regeneradas seriam impressionantes, mas o que a surpreendeu foi o exemplo inspirador de regeneração social.

Com cantos de pássaros e insetos a voar como cenário, há mulheres a cantar. A sua canção de chamada-e-resposta é uma descrição lírica da união e comunidade que é tão vital à sua forma de vida. Estas são as líderes de uma das quatro cooperativas femininas
do Timbaktu Collective, onde o desenvolvimento mudou o rosto de uma região afectada pelas constantes secas, em Andhra Pradesh. Conforme o mundo natural está a ser regenerado, algo está também a acontecer às pessoas desta comunidade.

Hoje, a importante canção de chamamento da comunidade é para nós, mas a reunião que se segue é sobre assuntos sérios. Maneelamma, a presidente das quatro cooperativas, vem até cá fora para nos conhecer. Rapidamente percebemos que esta Cooperativa não é só sobre igualdade de género. É também sobre erradicar castas, contexto económico, religião, e também providenciar acesso a melhor educação. Maneelamma não tem estudos, não é rica e é de uma casta baixa, mas nada disso é tido em conta aqui. Este grupo de pessoas marginalizadas luta arduamente contra tudo e todos por igualdade, e está a ter sucesso.

"Somos fortes. Temos força e coragem e podemos falar livremente," diz-nos Maneelamma na sua língua nativa Telugu, que Molly (a filha dos fundadores de Timbaktu) traduz para Inglês.

Maneelamma tem acesso complete aos seus dados financeiros aqui. Não só é igual aos homens, como também não necessitada de ir a bancos ou outras fontes externas se precisar de empréstimos financeiros. Isto acontece, pois, as mulheres neste local rejeitaram os sistemas económicos tradicionais, e criaram o seu próprio sistema - começaram um programa de poupança de comunidade.

Maneelamma, The Timbaktu Collective

Normalmente, as mulheres deveriam entregar o seu salário aos homens, mas estas mulheres fazem as coisas de forma diferente. Cerca de 30 mulheres começaram a guardar cerca de 10 rupias aos mês (por volta de 12 cêntimos de Euro), e guardam-nas numa poupança conjunta. Eventualmente, criaram um sistema onde poderiam oferecer taxas baixas de empréstimo umas às outras, onde o empréstimo é feito na base da confiança.

Isto é totalmente organizado pelas mulheres da cooperativa. Não há homens no topo a ditar as regras e não há agenda política. O sentimento de empoderamento destas mulheres é óbvio, e há hoje mais de 21.000 mulheres neste grupo de cooperativas.

Antes de existir o Timbaktu Collective, muitas pessoas tinham de recorrer a empréstimos bancários para cobrir as suas despesas do dia-a-dia. Maneelamma diz-nos que nesse tempo nunca se sentiam como donos da sua vida. No final, muitas pessoas desta zona, e um grande número de agricultores, sentiram pressão para cometer suicídio
.

Maneelama está claramente, e com toda a razão, muito orgulhosa dos sucessos do Coletivo. Diz-nos: "Juntámo-nos e chegámos a um estado em que a mulher rural consegue aceder a um empréstimo de 100 mil rúpias (€1.254). No futuro, espera-se que tenham acesso a 200 mil (€2509)! No futuro, uma mulher não vai ter de depender de ninguém."

O sistema bancário desta cooperativa ética tem por base a honestidade e colaboração, parecendo uma boa ideia que pode ser replicada por todo o mundo; desde que se consiga aprender a cooperar e confiar uns nos outros.

E esta não é única lição sobre regeneração social. Aninhado entre as árvores (que não existiam há 25 anos) num terreno de cultivo experimental, é-nos mostrado outro exemplo de como o The Timbaktu Collective está a desafiar as estruturas sociais.

Somos levados a conhecer um grupo de crianças, que estão ocupadas a salvar tartarugas. São crianças da Nature School e a sua história é agridoce. Enquanto as crianças parecem felizes imersas na natureza à sua volta, apenas ali estão pois não têm para onde ir. Não têm quem cuide delas, ou foram abusados por aqueles que o poderiam fazer.

Agora, estas crianças têm um ambiente incrível onde podem aprender; a escola está no meio da floresta e a natureza está inserida em tudo o que fazem. São cuidados em todas as vertentes necessárias pelo staff do local, estando aqui apenas até terem idade suficiente para que possam ser reintegrados no sistema escolar do Governo.

Ver a The Women's Cooperative, a Nature School, e tudo o mais no The Timbaktu Collective é uma excelente lembrança sobre a importância da igualdade. Num lugar onde nada conseguia crescer - resultado de pobreza e migração - encontrar um melhor equilíbrio, tanto para as pessoas como para a natureza, deu a esta comunidade uma força renovada.

O trabalho feito aqui prova que igualdade não é um luxo... é uma necessidade.

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