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No Dia Mundial dos Oceanos porque falamos sobre aeroportos?

Todas e todos nós sabemos da importância dos oceanos.

Sabemos que os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e são um excelente regulador do clima do planeta, pois, para além de produzirem oxigénio (através das algas que neles habitam), também capturam a maior parte do Dióxido de Carbono (CO2) e outros Gases com Efeito de Estufa (GEE).

Nos oceanos existem várias diferenças de temperatura: quanto mais fundo, mais frio está, sendo que as correntes marítimas existentes são causadas por essas diferenças de temperatura e pela salinidade da água (quantidade de sal). As correntes marítimas, por sua vez, distribuem nutrientes, que são a base da cadeia alimentar no fundo dos oceanos.

Além disto os oceanos absorvem um terço das emissões de dióxido de carbono da humanidade e 90% do excesso de calor gerado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa. Os oceanos são fundamentais para combater o aquecimento global que causa as alterações climáticas.

 

E porque queremos falar sobre aeroportos no dia dos oceanos?

Pelos impactos locais e pelos impactos globais que novos aeroportos têm no clima. Comecemos pelos impactos globais: Qualquer nova infraestrutura aeroportuária irá aumentar as emissões de GEE. Sabemos hoje que para mantermos a temperatura média do planeta abaixo de 1,5ºC em relação à era pré-industrial, é necessário reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 50% a nível mundial, até 2030 e o setor da aviação é responsável por quase 6% do aquecimento a nível global. Não podemos reduzir emissões, aumentando emissões. É por isso fundamental não construir qualquer novo aeroporto, seja no Montijo ou noutra localidade e não aumentar a capacidade dos aeroportos existentes, que são os planos que estão em cima da mesa.

Os oceanos, como reguladores do clima, têm sido fortemente afectados pelo aumento da temperatura média do planeta e travar o aquecimento global é travar o aquecimento dos oceanos.

 

As emissões já não estão a baixar?

Em 2019, as emissões de GEE atingiram um máximo histórico com a emissão de 59,1 giga toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e). Em 2020 devido à pandemia de covid-19, o corte de emissões ficou abaixo do necessário (-7%), pois necessitamos de uma redução de 7,6% por ano até 2030 e esta redução não se consegue construindo novos aeroportos.

A Agência Internacional de Energia também refere que temos que “parar já com todo e qualquer investimento em novos projetos baseados nos combustíveis fósseis”, para atingir a neutralidade carbónica até 2050.

 

E quais os impactos locais?

Um aeroporto no Montijo constitui um risco para a biodiversidade do estuário do Tejo, que é um local privilegiado para centenas de milhares de aves que ali se reproduzem, passam o Inverno ou fazem uma paragem nas suas rotas migratórias entre África e o Norte da Europa. Estes impactos locais estão bem descritos numa carta publicada na revista Sciense com o título Aeroporto em Portugal ameaça zonas húmidas. Cerca de 300 mil aves aquáticas e muitas outras espécies migradoras dependem do estuário do Tejo.

Este documentário lança o alerta para o impacto que a construção de um novo aeroporto na base aérea do Montijo teria sobre as aves do estuário do Tejo.

 

O novo aeroporto não foi chumbado?

A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) chumbou o pedido de avaliação prévia de viabilidade do aeroporto do Montijo, sim. A principal razão foi a oposição das Câmaras da Moita e do Seixal, porém Pedro Nuno Santos quer mudar a lei para que os municípios não possam travar "o desenvolvimento destas infraestruturas de interesse nacional e estratégico", algo que o maior partido da oposição dá sinais de apoiar.

 

Mas a aviação é um sector importante que permite que as “pessoas comuns” possam viajar! Porque não havemos de dar essa oportunidade a mais pessoas?

Porque a aviação é um meio de transporte elitista, pois 90% da população mundial nunca pôs os pés num avião. (fonte)

Deixamos-te mais factos sobre o sector da aviação:

  • Entre 1990 e 2010, as emissões mundiais de CO₂ aumentaram 25%; as da aviação aumentaram 70%. (fonte)
  • Hoje a aviação causa entre 5 % e 8 % do aquecimento global, muito mais do que os 2% alegados pela indústria. (fonte)
  • 1% dos passageiros frequentes representam metade das emissões da aviação mundial (fonte)
  • apenas 11% da população mundial pisou um avião em 2018 e 4% foi para outro país (fonte)
  • em 2017 apenas 3% da população mundial andou de avião, e não mais do que 18% já voou alguma vez na vida (fonte)

 

Por tudo isto e porque necessitamos de uma transição justa, activistas do Climáximo organizaram uma acção no passado dia 22 de Maio, a que chamaram acção “em chamas” para reivindicar:

- Mais Ferrovia

- Menos Aviões

- Transição Justa

 

Podes ver o que se passou nesse dia em vídeo: https://vimeo.com/554089837

E também podes ler um resumo com algumas fotografias: https://www.climaximo.pt/2021/05/24/wrap-up-em-chamas/

 

Mas como fazemos uma transição justa?

A ATERRA (campanha integrada na rede internacional Stay Grounded) propõe vários passos a dar:

1. Reduzir o tráfego aéreo, suprimindo e reduzindo voos de curta distância (como os voos dentro da Península Ibérica) e substituindo-os por viagens em comboio, e proibindo a ampliação de aeroportos (como aquela que se pretende fazer em Lisboa).
2. Eliminar o sistema de privilégios da aviação, com numerosas isenções fiscais que permitem voar a preços baixos e colocam em desvantagem alternativas mais sustentáveis.
3. Fazer as pessoas com mais recursos, cujos hábitos de viagem mais danos causam, financiar a mudança necessária através uma Tarifa sobre Passageiros Aéreos Frequentes.
4. Promover alternativas ao avião, principalmente pelo investimento ferroviário, pondo fim à incúria nos caminhos-de-ferro portugueses e à atual suspensão dos serviços internacionais, e abraçando o entusiasmo pela ferrovia e pelos comboios noturnos que está a ressurgir pela Europa.

Sabe mais aqui ou neste relatório.

 

Precisamos de oceanos com correntes fortes e com uma capacidade de absorver o calor em excesso no planeta, pois precisamos de um clima estável para sobrevivermos. Novos aeroportos não são compatíveis com uma transição justa.

 

Texto escrito por João Costa, activista do Climáximo e da Academia Cidadã.

Fotografia por Climáximo

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